Artigos

9 gestos de poder, 9 símbolos de magia

Publicado em 11 de julho de 2012 | Por : | Categoria : Artigos | Nenhum comentário

“Desencorajado e exausto, o NINJA soltou suas armas por um momento. Isto não podia durar muito, já que em questão de segundos eles podiam dispor de um local, um vão no alto de um muro de pedra que rodeava a cidade. O homem cansado não mostrava pânico e ao mesmo tempo que controlava sua respiração, começava a cantar metodicamente. Unia suas palmas e retorcia os dedos em um estranho gesto. O canto diminuiu até converter-se num sussurro. Quando o grupo atacante havia passado, se levantou subitamente lançando os pés, agachando e cortando com rapidez sobre-humana”.

Os Ninjas históricos japoneses se caracterizavam por seu cuidadoso e científico método de analisar e resolver problemas, estando ao mesmo tempo em estreita relação com práticas espirituais e ocultas. O treinamento para o combate Ninja tendia a reforçar os aspectos físicos e práticos de forma precisa e racional, com pouca ou nenhuma atenção a considerações artísticas ou estéticas, como ocorre na maioria das artes marciais tradicionais. O Ninja logo se deu conta de que seu êxito devia tanto a sua recopilação científica como a sua atitude racional e lógica para conseguir um resultado, já que nunca confiava na sorte ou nas coincidências. Sua confiança no Ninjutsu era tal que chegou a utilizar a sorte como um poder amais e a guiá-la em seu benefício. O viver continuamente à beirada da vida e da morte lhe fez desenvolver uma sensibilidade especial, chegando a lutar quase sempre entre subjugadas desvantagens e a aceitar qualquer ato do destino como uma possibilidade amais de vitória.

O Ninja aprendia o MIKKYO (Budismo esotérico) com o qual conseguia aumentar seu poder pessoal mediante a compreensão dos fenômenos do universo. Poder ou magia, o certo é que o Mikkyo conseguia reforçar o poder inerente a cada indivíduo e isto fez com que seus primeiros praticantes, os monges Yamabushi, fossem perseguidos duramente. Ao final de várias brutais guerras, seus conhecimentos foram transmitidos no seio das famílias e pouco a pouco ganharam uma nova classe guerreira ao que deram o nome de NINJA: “guerreiro da sombra”.

No Japão moderno, os ensinamentos do Mikkyo constituem uma realidade que deseja estar às margens de qualquer religião, mas seguem interessados em seus princípios universais sobre a casualidade, o poder e a iluminação.

No Dojo Ninpo ou “Sala de treinamento para a aprendizagem do segredo Ninja”, as representações simbólicas estão penduradas em ambos os lados da sala, uma à direita e outra à esquerda, colocadas verticalmente mesmo que sua verdadeira posição seja no plano horizontal. Quando o Ninja estuda uma delas, a do reino matriz por exemplo, o faz olhando para seu interior buscando uma compreensão do mundo material. Ao contemplar a outra, a do reino do diamante, o faz com a finalidade de compreender o mundo de leis universais. Estes dois processos lhe servem para obter uma visão da totalidade e um desenvolvimento pessoal equilibrado.

O Ninja utilizava também as chamadas Mantras “palavras de poder”, que eram frases usadas para conseguir realidade vibratória às intenções do Ninja. Estes juramentos se produziam na linguagem original ou bem em japonês clássico, mesmo que em ambos os casos carecem de significados no dialeto falado rotineiramente, de maneira que o Ninja possa expressar assim sua verdadeira intenção através de formas sonoras que não diminuía sua eficácia. Posto que é a ressonância do som em si e não o sentido literal das palavras que faz efetivas estas frases, não se é possível dar instruções sobre o uso das mesmas, e o aprendiz de Ninja deverá recorrer a um instrutor que as conheça.

Shihan Marcio J. Santos

CREFSP 08243/P SP - MENKYO JAPAN