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A força da admiração revela grandes lições

Publicado em 4 de dezembro de 2011 | Por : | Categoria : Artigos | Nenhum comentário

Sigo cada vez mais me surpreendendo, com os ensinamentos que o Budo nos oferece para nos desenvolvermos como seres humanos íntegros e capazes de aceitar as adversidades da vida, como algo para nosso crescimento físico, mental e espiritual.
Graças a Deus e ao Bufu (vento marcial), sempre tive a oportunidade de estar treinando diretamente com meu professor, o Shihan Christian Petroccello que é aluno direto do nosso grande mestre, Hatsumi Sensei, e como não poderia deixar de ser, aprendo muito, todas as vezes que nos encontramos. Algumas coisas poderia descrever, algo sobre o tema de algum seminário, ou de alguma técnica de uma determinada escola, mas o que mais me impressiona não poderia explicar com palavras, porque é algo que absorvemos com o espírito, e somente aqueles que vão ao seminário de um Shihan que é aluno direto de Hatsumi Sensei, podem desfrutar de tais ensinamentos, assim comentarei aquilo que posso dividir com vocês ok!

Neste seminário estava muito atento, em tudo que o meu Sensei falava e expressava através de seus movimentos, e também da forma que isso  representava para as pessoas que ali estavam, e por um momento, com a força da admiração, somados a estes anos de prática, consegui sentir a presença do espírito de Hatsumi Sensei, em sua “não forma”, também pude sentir esta mesma sensação quando estive participando nos  seminários dos Shihan’s, Pedro Fleitas e Carlos Morales, ambos alunos diretos de Hatsumi Sensei. Por isso, penso que qualquer praticante possa sentir o mesmo, basta treinar e estar em contato com discípulos diretos de Hatsumi Sensei, que são creio eu, a manifestação de seu espírito espalhado por diversos paises do mundo onde existe a Bujinkan Dojo.

Praticar com fervor e entusiasmo, e quando tomar a decisão de viajar ou ir a um seminário para praticar o Budo, preparar-se como se estivesse indo para uma batalha, onde o seu maior inimigo, é o seu próprio “eu”, e o principal objetivo, superar-se como ser humano, e para se dar bem nesta batalha, esteja atento, com a mente, o corpo e o espírito em harmonia “Sanshin”, e tente ver as coisas que não são possíveis enxergar com os olhos carnais.

Agora se me permitem, explicarei do meu ponto de vista como é ser um instrutor da Bujinkan, ou melhor, como ser um mensageiro deste caminho maravilhoso . Bem ser instrutor para mim é o mesmo que ser Pai, ou seja ter muita responsabilidade e cuidado com a educação de nossos filhos, mas comentarei sobre como ser aluno, assim seguirei cometendo erros e aprendendo com eles.

Dentre minhas aprendizagens com o Shihan Christian, notei um ponto muito importante para seguirmos na prática com muito entusiasmo, “Shoshin”, diferente de seguir com fome de aprender. A fome ataca nossa mente, criando ilusões, é como se você estivesse com uma quantidade de alimento para passar um ano, mas o consumisse em um mês, logo voltaria a estar com fome. Podemos observar isso na prática, porque, como comentava meu Sensei. “Não devemos ser colecionadores de técnicas, porque, ser colecionador de técnicas, é o mesmo que estar faminto frente a um prato suculento, comeria tão rápido que tampouco iria apreciar o sabor de cada alimento”.

Desta maneira devemos, sempre, treinar cada técnica, como se naquele momento, tal feito, valesse nossa própria vida, imaginar que, cada golpe que recebemos, poderia ser o último momento, e não se preocupar com a quantidade de técnicas que, na verdade, não passam de diferentes combinações ou formas pré determinadas, que quando aplicadas em combate real deixa, de maneira explicita, uma abertura, onde com certeza nosso inimigo ira nos golpear, ou seja, antes de abrir nossa mente, é preciso abrir nosso coração, para realmente captar a essência de cada técnica, deixando para aqueles que nos atacam, uma única certeza, de que somos imprevisíveis.

Shihan Marcio J. Santos

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