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A Sabedoria do Ninja

Publicado em 15 de julho de 2012 | Por : | Categoria : Artigos | 3 Comentários

A sabedoria do Ninja provêm de sua capacidade de julgar a si mesmo diante do novo, ao invés de repelir o desconhecido, o inusitado. Nunca agindo, em momento algum, com a razão ou a lógica perante aquilo que o mesmo considera natural, universal. Aceitando sempre o evidente como um dizer do cosmos, do Kami. A vontade divina se manifesta sutilmente nas frações do acaso ou mesmo nas situações de adversidade. O Ninja apenas observa, sente as alterações em seu próprio ser e no ambiente ao seu redor e procura aprender com o todo.

Nas palavras de Takamatsu Sensei: “A sabedoria do Ninja é a arte de vencer.”

“AS 3 ETAPAS”

1) SU
O principiante deve copiar corretamente todas as técnicas de seu mestre.
2) HA
Depois de vários anos de prática e treinamento, quando o aluno houver conseguido um auto grau de maestria, lhe é permitido executar e melhorar novas técnicas, com exceção das básicas.
3) RI
A máxima perfeição. Depois de vários anos de treinamento para o “HA”, o aluno deve ser capaz de executar todas as formas automaticamente, sem se prender a pensar em cada movimento.

Estes são princípios básicos e fundamentais para todo o praticante que deseja iniciar-se nos ensinamentos do Budo Taijutsu, já que a disciplina e o respeito para com o Sensei são os pilares para a formação do verdadeiro artista marcial.

“AS 3 LEIS”

1) KI KI O JI
Nunca olhar para baixo do oponente, nem subestimar suas habilidades.
Não ter medo antes do confronto devido a reputação do oponente.
2) FU TAN REN
Nunca hesitar para entrar em ação, quando tiver uma oportunidade de obter êxito.
Não ter medo devido a uma inadequada ou má preparação de si mesmo.
3) MI KUZU RE
Nunca temer ao inimigo, nem atuar com escassa confiança.
Não ter medo da aparência física ou força do oponente.

Estas são as regras fundamentais usadas pelos Ninja quando forçados a entrarem em ação. Essas leis devem ser memorizadas e guardadas na mente do praticante, para que sirvam de instrumento guia nos momentos mais adversos diante de uma situação inevitável de confronto.

“AS 7 VIRTUDES”

1) GI
A justa decisão, a justa atitude, a verdade.
2) YU
A bravura com ímpeto de heroísmo.
3) JIN
O amor por todo o universo, a benevolência para a humanidade.
4) REI
O comportamento equilibrado e justo.
5) MAKOTO
A sinceridade total.
6) MERYO
A honra e a gloria.
7) CHUGI
A devoção e a lealdade.

As virtudes devem ser cultivadas pelo verdadeiro artista marcial. Aquele que buscar por esses caminhos encontrará a paz em meio as incertezas da vida. Semeiem essas virtudes por onde passar dentro desse caminho.

“OS 5 CONSELHOS”

1) Conheça a virtude da paciência durante o tempo da inatividade.
2) Escolha o curso da justiça como padrão de sua vida.
3) Não deixe que teu coração seja controlado por influência do prazer, desejo ou dependência.
4) Não desgaste o ressentimento em acontecimentos naturais, que assolam o espírito humano para cultivar o espírito inabalável (FUDOSHIN).
5) Alenta em teu coração a importância da lealdade para com a família e continue o estudo das artes marciais com determinação e firmeza.

Tradução original: Sensei Camargo

Essas regras estavam gravadas numa plaqueta na entrada do Dojo de Sensei Toda Shinryuken e hoje está presente dentro das regras da Bujinkan. Para iniciar a prática você deve purificar teus pensamentos e em seguida adentrar ao Dojo. Só assim estará preparado para absorver e compreender os ensinamentos.

“AS 9 REGRAS”

1) O caractere NIN pretende que se guarde a nação com até mesmo sua vida.
2) Esqueça do ego, seja paciente e não tema a morte.
3) Em perigo, não diga e não demonstre nada.
4) Quando se deparar com um inimigo forte mantenha um espírito indomável.
5) Sirva e proteja o mestre, como você deve a seus pais.
6) Vícios dissipam sua proficiência.
7) Estando bêbado afeta seu juízo.
8) Destrua o poder do inimigo, mas deixe sua vida.
9) Não ensinem outros sem a permissão do mestre.

Essas regras traduzem a correta interpretação da conduta ideal em se praticar tradições antigas, nas quais encontramos fundamentos aparentemente tão antigos, e ao mesmo tempo condizentes com a necessidade e com o compromisso do artista marcial contemporâneo. As quais nos brinda a escola Gyokko Ryu com essas nove regras.

“AS 5 NORMAS”

1- Esqueça todas as tuas tristezas, rancores, raivas e ódios. Deixe-os passar como a fumaça na brisa, e não se deixe levar por esses mesmos ventos.
2- Não desvie do caminho do bem, deve levar uma vida digna. Somente aqueles que podem distinguir o bem do mal podem desenvolver força espiritual.
3- Não deixe que a Ambição, a Luxúria ou o Ego se apodere de tua alma. Se aprende Artes Marciais somente para satisfazer teus próprios interesses, correrá o risco de ser controlado por esses três desejos, mesmo quando tiver alcançado um alto grau nas Artes Marciais; mas, estes três desejos não só afetam aos Budoka, e sim à humanidade em geral.
4- Devemos aceitar as tristezas, ódios ou penúrias quando venham e considerá-las como uma prova que envia o todo poderoso, já que o mais nobre espírito do Ninpo é tomar tudo como se fora uma benção da mãe natureza.
5- Concentre todo seu tempo e mente na prática do Budo e tua mente imersa no BudoTaijutsu. Se confundes o resplandecer espiritual com sua própria satisfação, cai no perigo de atuar como bestas.

Essas normas são advertências a todo artista marcial que pretende trilhar pela honestidade e dignidade em seu trajeto, sabendo desviar das más influências alheias e retornar com sabedoria ao caminho original.

“NINJA NO HACHIMON” – “OS 8 SEGREDOS”

1) NINJA NO KIAI: A expressão explosiva do espírito e da energia interna.
2) NINJA NO TAIJUTSU: O estudo e a prática das técnicas corporais.
3) NINJA NO KENPO: Estudo das técnicas de espada.
4) NINJA NO SOOJUTSU: Estudo de métodos utilizando lanças e objetos pontiagudos.
5) NINJA NO SHURIKEN: A arte de lançar dardos, facas e armas de arremesso em forma de estrela.
6) NINJA NO KAJUTSU: A arte de usar o fogo como aliado.
7) NINJA NO UGEI: A arte de iludir e enganar o adversário.
8) NINJA NO KYOMON: O estudo das religiões, medicina, filosofia, meditação, história, matemática, química, física e a psicologia.

Nesse nível vemos uma seqüência de matérias estudadas pelos Ninja na antiguidade. Hoje, sabiamente podemos experimentar um pouco de cada um dos oito níveis e perceber o que fez do Ninja o magnífico guerreiro que é.

“CHUGOKU NO KYOMON” – “OS 12 ENSINAMENTOS”

1) Prezar e gozar a vida sem deixá-la interferir em seu caminho. Aceitá-la como uma parte, não como um todo;

2) Procurar alcançar aquilo que está sempre acima de seu alcance, não tendo em mente que, o que sabes é o suficiente, pois isso é o inicio da decadência;

3) Pôr a verdade e o caminho da retidão acima das próprias fraquezas, procurando vencê-las dentro de si;

4) Aperfeiçoar-se em todos os movimentos de combate fazendo do tempo seu aliado;

5) Não julgar ninguém forte ou invencível. Se vier em mente, lembre-se que se há alguém com força, é sinal que nós estamos fracos;

6) O pior adversário que encontramos em nosso caminho é o nosso próprio ser que, em determinadas condições, se opõe ao prosseguir;

7) No caso de uma desvantagem técnica prolongue a mesma até que surja uma oportunidade de sobrepujá-la, através de sua própria estruturação técnica esforçando-se ao máximo;

8) Não mudar diante de vários adversários sua resolução de vencê-los mesmo que isso pareça razoável. Lembre-se que a quantidade não aumenta o perigo e sim o poder individual de cada oponente;

9) Por menos que se faça para alcançar algo é sempre alguma coisa que nos levará ao nosso objetivo. Esperar uma oportunidade para iniciar ou continuar algo é imaginação sem valor;

10) Não alimentar rancor em nenhuma situação ou sentimentalismo diante de um evento qualquer;

11) Esperar sempre 3 situações:
1º) Uma falsa;
2º) Uma contra;
3º) Uma indiferente, procurando se manter como um espelho por fora e com determinação e objetivo por dentro;

12) Não se apegar a nada que pertença à vida, procurando sempre ver o real e a falha no evidente, encarando os obstáculos como algo que nos leva a perfeição, vencendo-os.

O texto acima foi extraído dos arquivos de um dos mais importantes professores de Artes Marciais do Brasil.
Me refiro ao Sensei José Luiz Carmargo dos Santos.
Esses doze ensinamentos não foram falados, e sim percebidos por aqueles que o conhecem, pois de sua personalidade e caráter observamos claramente cada um desses ensinamentos.

HATSUNOHOKORI – AS OITO POEIRAS ESPIRITUAIS

TENRIKYO (ENSINAMENTO DA RAZÃO DO CÉU)

A religião, sem dúvida é parte fundamental da vida humana. A palavra religião significa “religar” o homem a Deus. Se tratando de TENRIKYO, o ensinamento é baseado na crença no Deus original, criador do mundo e dos homens. Nosso corpo é um empréstimo de Deus. O que nos pertence é o espírito. Quando adoecemos, significa que algo está disperso do caminho original. A moléstia pode ser curada a partir de uma cura espiritual.
“Mesmo uma casa limpa, deixando-a fechada por algum tempo, os quartos ficam empoeirados. O espírito fica empoeirado sem que se perceba.

ÔSHII (MESQUINHEZ)
É deixar de pensar na convivência dos próximos, de poupar-se trabalhar, dar e fazer o que pode pelos outros.

HOSHII (COBIÇA)
É desejar mais insatisfeito com o que tem, querer ganhar sem trabalhar, querer irrefletidamente as coisas.

NIKUI (ÓDIO)
É querer mal aos outros por não serem do seu agrado, querer mal a quem errou, fracassou, faltou-lhe respeito, embora não tenha culpa.

KAWAI (AMOR PRÓPRIO)
É pensar que está bem se estiver pessoalmente bem, ser atencioso apenas às pessoas especiais, procurar somente o interesse pessoal e familiar, sem importar-se com os outros.

URAMI (RANCOR)
É invejar a felicidade e o sucesso dos outros, manter sentimento inamistoso sem refletir a falta de seu próprio esforço.

HARADACHI (RAIVA)
É encolerizar-se pelo que viu e ouviu, não ter paciência, não poder perdoar os outros.

YOKU (AMBIÇÃO)
Querer ter tudo mesmo roubando ou enganando os outros, querer toda mulher ou todo homem que é do seu agrado.

KOUMAN (SOBERBIA)
É julgar-se superior pelo seu conhecimento, de impor seu pensamento, de procurar os defeitos alheios.

Shihan Marcio J. Santos

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