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GO TON PO – Interagindo com a natureza

Publicado em 12 de julho de 2012 | Por : | Categoria : Artigos | Nenhum comentário

O Homem invisível

Inpo: a arte de esconder-se, formava parte integral das técnicas Ninja. Aproveitava-se de qualquer objeto ou material para se esconder do inimigo. Camuflava-se em árvores, grutas, paredes, valas ou tetos. Sendo um mestre nas técnicas de respiração, podia permanecer imóvel durante longos períodos de tempo. Cobria também seu rosto e olhos, se concentrando na audição.

Uzura gakure no jutsu: consistia em esconder-se como uma codorna, nos pequenos espaços que havia entre dois objetos maiores, como entre duas árvores, entre uma rocha e um arbusto, uma árvore e uma rocha, etc. O Ninja se inclinaria, encolhendo-se, formando um vulto curvado. Podia assumir uma forma retangular permanecendo de pé com as pernas juntas, as mãos ao longo do corpo e a cabeça inclinada sobre o peito. Dependendo do tamanho e forma do espaço ao redor, assumiria essa ou aquela forma em particular.

O Ninja também se escondia nos arbustos ou matagais, mas nunca nos dias de vento, pois o som chega mais longe. Havia, inclusive, uma tática para esconder-se nas sombras das árvores, pedra de jardins, etc. Também tinha o cuidado de não olhar por uma janela com a luz em suas costas.

Tanugi gakure no jutsu: é a capacidade do Ninja em subir numa árvore como um ouriço, e fixar-se ao tronco ou a um galho de maneira a parecer que fazia parte da árvore.

Kitsune gakure no jutsu: consistia em imitar as ações de uma raposa ao se esconder na água. Cobria o rosto com juncos, e se fosse necessário, submergia e respirava com um cano.

Shiba gakure no jutsu: utilização de objetos empilhados como a lenha, reservas de carvão, sacos de arroz, etc., colocando-se entre eles de modo que fosse impossível detectar-se a simples visualização. Naturalmente, às vezes se ocultava sepultando-se entre os objetos empilhados. No caso de emergência, teria que se esconder urgentemente, saltaria dentro de uma caixa ou cestos vazios, mas, estes lugares eram demasiadamente óbvios se sua presença já fosse detectada.

Ao esconder-se sob os corredores ou passadiços, o Ninja camuflava sua cabeça e parte de seu corpo com ramos de bambu e folhas. Mas quando se escondia sob o piso ou sobre o sótão, teria que tomar cuidado com os espadachins e lanceiros de guarda. Muitos Samurais desconfiados, tinham o costume de atravessar com as lanças ou com as espadas o tatami e o teto das habitações, sobretudo se estivesse entrando pela primeira vez.

Tonpo: tratando das técnicas de escape, onde se aproveitavam das condições atmosféricas: a luz ofuscante do sol e a enganosa da lua, trovões, relâmpagos, vento, nuvens e até neve. Usava-se entre outros, o velho truque de cegar o inimigo mediante o reflexo do sol com um espelho. A luz lunar criava uma infinita gama de sombras nas que o Ninja podia se esconder. A neve tampava rapidamente as ruelas, a chuva torrencial cobria os ruídos e a imagem da retirada, enquanto que as nuvens passando frente a lua, produzia uma obscuridade temporária que permitia ao Ninja iludir o inimigo.

Inton jutsu: refere-se à utilização da terra, água, fogo, madeira e metal no momento da fuga:
Do Ton Jutsu: Uso da terra.
Sui Ton Jutsu: Uso água.
Ka Ton Jutsu: Uso do fogo.
Moku Ton Jutsu: Uso da madeira.
Kin Ton Jutsu: Uso do metal.

Quando se dispunha da água quente, poderia jogá-la nos olhos do inimigo, ou uma peça de madeira ardendo em brasa, podia-se usar também com arma. O estalido de uma das bombas luminosas do Ninja, na escuridão também podia cegar temporariamente a seu perseguidor.

Uma pedra lançada na água, podia atrair a atenção do inimigo para determinada direção, de igual maneira que se causava confusão lançando água a uma fogueira, servindo o vapor resultante como cobertura durante uns segundos.

No campo, o Ninja podia atear fogo à vegetação, no caso em que o vento estivesse soprando na direção de seus inimigos; de qualquer forma, sempre podia dar a volta para ter o vento a seu favor. Também usava o som produzido pelo fogo, como, por exemplo, lançando nozes ou gomos de bambu a uma fogueira de maneira que ao explodirem como disparos, o inimigo se pusesse a proteger-se.

Por suposto, a fumaça proporcionava a melhor cobertura para os movimentos de escape do Ninja. Como o fogo nem sempre estava disponível, a princípio, levava suas próprias granadas de fumaça e bombas luminosas para casos de emergência.

A madeira também era útil, mesmo que em menor quantidade. As lascas de madeira ou bambu eram utilizadas para cegar ao adversário lançando nos seus olhos, e os galhos podiam ser usados como porrete ou para perfurar, se não houvesse outra arma disponível.

O uso da terra propunha o emprego de areia ou pó nos olhos do adversário. Também cavava fossos ao avançar e depois retrocedia sobre seus passos ao escapar, de maneira que podia usar o fosso camuflado para esconder-se, ou como armadilha para o inimigo. Às vezes cavava dois fossos separados por alguns passos de distância, bastante profundos e ligados entre si . O primeiro fosso teria explosivos e estaria perfeitamente camuflado. Então, ao ser perseguido, o Ninja saltaria ao segundo fosso. Os perseguidores cairiam no primeiro agulheiro e acionariam a carga explosiva.

Uma das estratégias mais engenhosas empregadas pelo Ninja por facilitar sua fuga, era o uso de insetos e pequenos animais: aranhas, serpentes, centopéias, escorpiões, ratos, sapos, raposas, macacos, ouriços, cachorros, etc. Ao ser perseguido pelos guardas de um castelo, o Ninja podia retirar do bolso um escorpião ou uma serpente e lançar a seus perseguidores, desconcertando-os por uns instantes.

NOTA:
Treinar com a natureza pode levar o praticante a descobertas importantes dos conceitos naturais de vida e da ordem que rege os elementos naturais, e a influência que estes tem sobre a harmonia do esquema universal. Extrair da natureza os conceitos encobertos pelo homem moderno, e poder fazer parte dessa ordem, é sem dúvida, voltar às origens de tempos remotos em que dependíamos da colaboração da natureza, de forma em que o respeito pelas criaturas e a compreensão do significado da vida eram eminentes.

Shihan Marcio J. Santos

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