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Sobre a veracidade dos Katas, ou formas pré determinadas

Publicado em 4 de dezembro de 2011 | Por : | Categoria : Artigos | Nenhum comentário

“Sobre a veracidade dos Katas, ou formas pré determinadas.”

Tenho a certeza de que, alguma vez, ou em algum momento, praticando um “Kata”, você já se questionou: Será que isso realmente funciona?
Tal questão as vezes faz com que muitos praticantes de artes marciais tradicionais, que não competem, parar ou procurar algo que realmente satisfaça seu ego, tentando desta forma, encontrar uma resposta para esta barreira imposta pela mãe dos pecados capitais, “A vaidade”.

Primeiro, antes de responder a esta questão, que um dia também aflorou em meus pensamentos, gostaria de lhe perguntar, o que realmente para você significa, um combate real?
Por exemplo, muitas pessoas, acham que, o Vale Tudo é um combate real, e que o Kendo, é um verdadeiro duelo de espadas, de certa forma não deixa de ser um combate real, mesmo porque, há um confronto direto, e também não existe nada que seja pré-determinado, claro isso para um esportista, ou profissional que tem como sua principal meta “Vencer”, por isso, como Bugeisha’s não devemos abordar este tema “Combate Real”, da mesma forma que um esportista, ou seja, para um esportista, seu principal objetivo é vencer, e para um Bugeisha, ou praticante de budo, seu principal objetivo é proteger à vida acima de qualquer custo, tendo as vezes que dissimular os fatos, ou utilizar de meios que par alguns é considerado sujo, ou seja, nunca você ira encontrar um verdadeiro Budoka lutando onde quer que seja pelo simples fato de, vencer a fim de provar algo que não seja para si mesmo.

Muitas das formas ou “katas” que praticamos, foram criadas, primeiro, para manter viva uma tradição ao longo dos tempos, segundo, para expressar, de uma forma poética, um sentimento de guerra. É importante ressaltar também que muitas, das técnicas que hoje praticamos dentro de um Dojo, ou seja com todo conforto, nasceram no campo de batalha, onde, o teto, era o céu, as paredes, as montanhas, o tatami, o duro chão de pedra, e o companheiro de treino, nosso inimigo mortal. Vejam pessoal, fiz esta comparação para dizer que, quando estivermos treinando, devemos nos esforçar ao máximo para se aproximar de tais sentimentos, ou seja, entreguem-se de verdade ao treino, sem medo, sem receio, tentem, de uma forma ou de outra, desenvolver-se dentro de suas próprias limitações, e para isso não é necessário utilizar-se de meios, que possam colocar nossa vida em risco, apenas utilizem a mesma sensibilidade que um guerreiro, nascido em época de paz, teria que desenvolver, caso um dia viesse a combater. Muitas vezes pensamos que, um guerreiro de verdade é, ou foi aquele que um dia, já esteve no campo de batalha, pelo contrário, os verdadeiros guerreiros foram ou são aqueles nascidos em épocas de paz, que além de praticar o Budo, se dedicavam a outras artes, e aos estudos. Pensem, é muito importante separar um autêntico guerreiro, de um camponês vestido de guerreiro.

Bem, tudo isso que, de uma forma bem simples, tentei expressar, é resultado de muito estudo e dedicação a este trabalho maravilhoso que faz o nosso mestre Hatsumi sensei, e desde já, os meus sinceros agradecimentos ao meu Sensei Christian Petroccello e aos meus amigos André e Alex.

Shihan Marcio J. Santos

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